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Computação

ASRock B860 Challenger Wifi: desempenho sólido, mas limitado

A placa-mãe de entrada oferece Wi-Fi integrado e boa performance, mas sofre com portas USB lentas, VRM fraco e BIOS antiquada.

Tom's Hardware

A crescente demanda por PCs de baixo custo, especialmente no Brasil, tem impulsionado a produção de placas-mãe que equilibram preço e desempenho. Entre os modelos que se destacam nessa faixa de preço, a ASRock B860 Challenger Wifi surge como uma opção atrativa, graças ao seu preço competitivo, suporte a Wi‑Fi 5 e duas slots M.2 NVMe. Contudo, um olhar mais atento revela limitações que podem impedir o dispositivo de se tornar a escolha ideal para entusiastas que buscam mais do que o básico.

**O que torna a B860 Challenger Wifi interessante?**

A ASRock B860 Challenger Wifi é baseada no chipset Intel B860, que suporta processadores 10ª e 11ª geração da linha Comet Lake e Rocket Lake, respectivamente. Isso garante compatibilidade com CPUs populares como o Core i5-10400 e o i7-11700, ambos de 6 núcleos, bem como a possibilidade de usar CPUs mais antigas da série 9ª geração, aumentando a flexibilidade para quem já possui componentes de gerações anteriores. A placa segue o padrão ATX, oferecendo três slots DIMM que suportam até 128 GB de memória DDR4, embora a maioria dos consumidores de entrada prefira 8 a 16 GB.

Um dos pontos fortes de qualquer placa de entrada moderna é a conectividade sem fio. A B860 Challenger Wifi vem com um módulo Wi‑Fi 5 (802.11ac) e Bluetooth 5.0 integrado, o que elimina a necessidade de adaptadores externos. Isso é especialmente relevante em ambientes domésticos e de trabalho remoto, onde a conectividade estável pode ser mais valiosa do que a velocidade máxima de conexão com fio.

A placa também oferece dois slots M.2, ambos com suporte a PCIe 4.0 e 3.0, o que permite instalar SSDs NVMe de alta velocidade em qualquer configuração de CPU compatível. A presença de duas portas SATA III e três portas SATA 2.0 completa a gama de opções para armazenamento tradicional.

**O que falha na B860 Challenger Wifi?**

Apesar desses recursos, a placa apresenta falhas notáveis que podem limitar o desempenho em cenários de uso mais exigentes.

*Portas USB mais lentas*: a maioria dos usuários de PCs de entrada não se dá conta da importância de portas USB 3.1 Gen 1 (5 Gbps) em comparação com a versão 3.0 (5 Gbps, mas com menor eficiência de energia). A B860 oferece apenas duas portas USB 3.1 Gen 1 na parte frontal e duas portas 3.0 na traseira. Isso pode se tornar um gargalo quando se conectam dispositivos de alta velocidade, como discos externos NVMe, câmeras 4K ou dispositivos de captura de vídeo.

*VRM fraco*: a placa utiliza um conjunto de VRM de 4+2 fases com reguladores de 90 V, suficiente para operar CPUs de entrada de maneira estável, mas insuficiente para overclocking ou para processadores de alto desempenho. Em comparação, placas de entrada da série B460 da ASUS ou Gigabyte empregam VRM de 6+2 ou 8+2 fases, garantindo melhor estabilidade de energia e maior potencial de desempenho.

*BIOS desatualizada*: a interface UEFI da B860 Challenger Wifi ainda segue um layout antigo, sem as facilidades modernas de overclocking, monitoramento de voltagens em tempo real ou atualizações frequentes de firmware. Isso significa que usuários que desejam ajustar manualmente a frequência do FSB ou a voltagem da CPU podem enfrentar limitações. Além disso, a BIOS mais lenta pode aumentar o tempo de inicialização em comparação com placas mais recentes.

**Como a B860 se posiciona no mercado de placas de entrada?**

Quando avaliamos a ASRock B860 Challenger Wifi, precisamos compará-la a concorrentes diretas, como a ASUS Prime B460M-A, a Gigabyte B460M DS3H e a MSI B460M-A PRO. Em termos de preço, a ASRock está na faixa mais baixa, variando de US$ 80 a US$ 90 em sites de varejo nos EUA. Em um contexto brasileiro, com câmbio volátil e impostos, o custo pode chegar a R$ 400 a R$ 450, ainda que seja competitivo frente a alternativas importadas.

A B860 oferece Wi‑Fi integrado, algo que nem todas as placas de entrada oferecem. Contudo, a qualidade do módulo de Wi‑Fi pode ser inferior à de placas premium, apresentando menor alcance e menor taxa de transmissão, especialmente quando comparada a módulos 802.11ac com antenas de alta frequência. Para usuários que dependem de conexão sem fio estável, isso pode representar um risco.

Além disso, a placa vem com suporte apenas a Wi‑Fi 5. Em 2024, o padrão Wi‑Fi 6 (802.11ax) já é comum em PCs de entrada de alta qualidade, oferecendo melhor desempenho em ambientes com muitos dispositivos conectados simultaneamente.

**Implicações técnicas e práticas**

Para quem monta um PC para uso diário, streaming de vídeo e jogos leves, a B860 Challenger Wifi pode atender. O processador Core i5-10400, por exemplo, tem 6 núcleos e 12 threads, o que combina bem com a placa. A memória DDR4 de 3200 MHz, instalada em dual channel, oferece largura de banda suficiente para a maioria dos jogos modernos em configurações médias.

No entanto, a limitação das portas USB se torna crítica quando se tenta usar um SSD externo NVMe de 1 TB ou mais, pois a velocidade real pode cair para 150–200 MB/s, bem abaixo do potencial do dispositivo. Para quem utiliza um teclado mecânico USB 3.1 ou um mouse com 5 000 DPI, a diferença pode ser perceptível.

O VRM fraco também impacta a estabilidade em uso intensivo de CPU, como renderização 3D ou edição de vídeo. Se a tensão de 12 V não for suficientemente estável, pode haver quedas de desempenho ou até travamentos.

A BIOS antiga impede a realização de overclocking de memória ou de CPU, limitando o desempenho máximo. Para jogadores que desejam extrair o máximo de GPUs discretas, a limitação de BIOS pode se tornar um problema.

**Impacto econômico, geopolítico e social**

No Brasil, a disponibilidade de componentes de PC é frequentemente afetada por tarifas de importação e pela burocracia alfandegária. A ASRock, que mantém sua base de produção nos EUA, enfrenta atrasos no envio para o Brasil. Isso pode significar que a placa não estará disponível em lojas físicas por períodos de 2 a 3 meses, enquanto modelos produzidos localmente (por exemplo, algumas marcas chinesas que fabricam no Brasil) têm distribuição mais ágil.

Do ponto de vista econômico, a placa oferece um bom custo-benefício para quem busca montar um PC com Wi‑Fi integrado e duas portas M.2 NVMe a um preço inferior a US$ 100. No entanto, a necessidade de comprar adaptadores USB adicionais ou de substituir a placa por um modelo com VRM mais robusto pode aumentar o custo total do sistema.

Em termos de impacto social, a acessibilidade de placas de entrada como a B860 Challenger Wifi pode democratizar o acesso a PCs para estudantes e profissionais que não podem investir em hardware de alto desempenho. Ao permitir a instalação de processadores modernos a um preço baixo, a placa contribui para a inclusão digital em regiões onde a infraestrutura de computação ainda é limitada.

**Perspectiva brasileira e latino-americana**

No cenário latino-americano, a preferência por placas de entrada costuma ser influenciada pela sensibilidade ao preço e pela necessidade de componentes que sejam compatíveis com fontes de energia com voltagens não uniformes. A ASRock oferece uma fonte de alimentação padrão 80 Plus Bronze, mas a falta de opções de 12 V mais robustas pode ser uma dor para quem monta sistemas em países com variações de voltagem.

Além disso, a disponibilidade de Wi‑Fi 5 em vez de Wi‑Fi 6 pode ser mais aceitável em mercados onde a cobertura de internet ainda não é tão densa, mas em cidades grandes, onde a competição entre pontos de acesso é alta, o Wi‑Fi 6 pode oferecer vantagens significativas.

**Conclusão**

A ASRock B860 Challenger Wifi representa uma proposta de valor interessante para usuários que buscam um PC de entrada com conectividade sem fio e duas portas M.2 NVMe sem pagar caro por isso. No entanto, limitações nas portas USB, VRM e BIOS restringem seu uso em cenários mais exigentes e podem exigir upgrades futuros. Para quem valoriza estabilidade, overclocking ou a mais alta performance de armazenamento externo, pode ser mais prudente considerar placas de entrada da série B460 de marcas concorrentes, que oferecem VRMs mais robustos e BIOS atualizadas.

Para o mercado brasileiro, a placa oferece uma porta de entrada relativamente barata, mas a necessidade de aguardar entrega e a possibilidade de custos adicionais com adaptadores podem reduzir sua atratividade. Em última análise, a B860 Challenger Wifi é uma opção válida para projetos de baixo custo, mas não substitui uma placa de entrada premium quando se trata de desempenho confiável e flexibilidade futura.

Fonte original

Tom's Hardware
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