GostarTech
PublicidadePublicidadePublicidade
Publicidade
Publicidade
Computação

China lança o primeiro data center comercial com 800 V DC, redefinindo eficiência energética em IA

A novidade promete reduzir perdas de energia, aumentar a densidade de equipamentos e posicionar a China à frente da corrida de supercomputação global

Tom's Hardware
China lança o primeiro data center comercial com 800 V DC, redefinindo eficiência energética em IA

A notícia de que uma empresa chinesa completou o primeiro data center comercial com um sistema integrado de 800 V de corrente contínua (DC) chegou como um choque positivo ao cenário global de infra‑estrutura de IA. Em um momento em que a demanda por energia elétrica em centros de dados cresce a taxas superiores a 10 % ao ano, a solução traz uma proposta de valor que combina eficiência energética, densidade térmica e escalabilidade de hardware.

Tradicionalmente, os data centers operam em 120 V ou 208 V de corrente alternada (AC), convertendo a energia para DC apenas nos dispositivos finais, como servidores e GPUs. Esse processo gera perdas significativas – entre 5 % e 10 % em conversões internas – e exige transformadores e painéis de distribuição robustos. A transição para voltages mais altos em DC reduz a corrente necessária para transportar a mesma potência, o que diminui os perrups de resistência e as perdas resistivas nos cabos, além de reduzir o tamanho e o custo de equipamentos de distribuição.

No caso da China, o sistema de 800 V DC foi integrado desde o nível de alimentação do rack até as plataformas de refrigeração, criando uma cadeia de energia unificada que elimina a necessidade de conversores de alto porte. Os engenheiros empregaram transformadores de estado sólido (Solid‑State Transformers – SST), capazes de operar em altas frequências e converter 800 V DC em tensões mais baixas apenas quando necessário, mantendo a eficiência superior a 97,5 %. Além disso, o uso de cabos de cobre de alta condutividade, com seções reduzidas graças à menor corrente, permite uma distribuição mais compacta e menos intrusiva no layout dos racks.

Para os workloads de IA, a densidade de GPU por rack pode ultrapassar 80 unidades, o que representa um salto de 30 % em relação a instalações em 400 V DC. A redução de perdas térmicas e o aumento da confiabilidade de alimentação se traduzem em menor consumo de sistemas de refrigeração – estimativas apontam uma economia de 18 % em carga térmica total. Em um data center de 500 m² que normalmente consome 1,5 MW em 400 V DC, o mesmo local com 800 V DC pode operar com 1,2 MW, liberando 300 kW que podem ser realocados para novas GPUs ou outros dispositivos.

A iniciativa acontece em meio a um impulso governamental chinês que busca consolidar o país como líder mundial em IA. Programas como “Made in China 2025” e incentivos fiscais para construção de centros de dados de alta performance têm motivado empresas de telecomunicações, como a Huawei e a ZTE, a investir em novas tecnologias de energia. A presença de fornecedores locais de componentes de energia DC, incluindo transformadores de estado sólido e sistemas de controle, facilita a adoção e reduz custos de entrada.

Em escala global, empresas norte‑americanas como a Google, Amazon e Microsoft já operam data centers em 480 V DC em regiões com infraestrutura elétrica estável e custos de energia competitivos. A adoção de 800 V DC ainda é raríssima fora da China, mas a tendência é clara: maiores voltages permitem melhor aproveitamento das energias renováveis e maior integração com sistemas de armazenamento de energia em baterias ou supercapacitores, que funcionam naturalmente em DC.

Para o Brasil, a perspectiva é dupla. Por um lado, a economia de energia e a possibilidade de aumentar a densidade de equipamentos são atraentes para data centers em regiões com alta tarifa de eletricidade, como o Sudeste e o Sul. Por outro lado, a infraestrutura de transmissão ainda não suporta a instalação de transformadores de alta tensão DC em escala industrial, e a regulação de energia elétrica precisa evoluir para permitir essa transição. Empresas como a Oi e a Eletrobras poderiam, em parceria com provedores de nuvem locais, testar projetos piloto em 800 V DC em centros de dados de alta performance.

Não obstante os benefícios, a adoção de sistemas de 800 V DC traz desafios técnicos e de segurança. Equipamentos de proteção contra surtos, sistemas de aterramento e dispositivos de proteção diferencial devem ser revisados para operar em tensão mais alta. A fabricação de cabos de alta tensão DC exige materiais avançados para evitar degradação de isolamento. Além disso, o custo inicial de instalação – transformadores, painéis e sistemas de controle – pode ser 30 % a 40 % superior ao de sistemas convencionais, exigindo um balanço cuidadoso entre retorno sobre investimento e escalabilidade.

À frente do horizonte, a tendência de adoção de 800 V DC parece se alicerçar em padrões internacionais de eficiência, como os da ENERGY STAR e da ASHRAE. Se os resultados de operação no Brasil e em outras economias emergentes confirmarem os ganhos de eficiência, a comunidade de data centers poderá acelerar a transição para voltagens mais altas. Em última análise, a China demonstra que a combinação de tecnologia de energia DC avançada e foco em IA pode redefinir os limites da computação de alto desempenho, com repercussões que atravessam fronteiras e setores.

Fonte original

Tom's Hardware
CompartilheWhatsAppXFacebook

Leia também