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Robótica

Robôs Humanoides Deixam o Hype e Chegam à Produção em Massa – Dois Ações em Destaque

Enquanto os robôs humanoides saem da ficção científica para a linha de montagem, duas empresas cotadas estão na vanguarda desse novo mercado

Google News — Robótica China (EN)

A última década foi marcada por avanços que, hoje, parecem ter passado diretamente da ficção científica para o cotidiano. Robôs humanoides – máquinas que imitam a aparência e o movimento de um ser humano – deixaram de ser curiosidade de museus de tecnologia para se tornarem protagonistas em fábricas, hospitais e até em casas. O que antes era apenas hype está agora sendo impulsionado por investimentos massivos, avanços em inteligência artificial e a necessidade de automação em escala global.

A mudança de paradigma começou na década de 1990, quando a Honda lançou o ASIMO, um protótipo de robô de dois pés que poderia andar e correr. Decê-se que a tecnologia ainda estava longe de ser comercialmente viável. Entretanto, a evolução das microprocessadores, dos sensores e dos algoritmos de aprendizado de máquina trouxe um salto de qualidade que, em poucos anos, permitiu que robôs humanoides fossem integrados em ambientes industriais complexos.

Hoje, duas empresas cotadas nas bolsas de valores americanas se destacam como líderes nesse novo mercado: a SoftBank Group Corp. (SFTB) e a Honda Motor Co. (HMC). A SoftBank, embora não seja especializada em robótica, tornou-se um dos maiores investidores em startups de automação. Em 2023, a empresa anunciou um investimento de US$4,5 bilhões na Boston Dynamics, uma das pioneiras em robôs móveis de quatro patas, e, simultaneamente, aumentou seu portfólio em robôs de serviço humano através de aquisições estratégicas em empresas como a Boston Dynamics e a Robotis.

A Honda, por sua vez, tem investido mais de US$1,2 bilhão em seu braço de pesquisa em robótica, com foco na criação de assistentes domésticos e de saúde. O modelo humanoide “ASIMO” foi atualizado para o “ASIMO 2025”, que promete maior autonomia e capacidade de interação social. Segundo o relatório de 2023 da Honda, a empresa planeja lançar um protótipo de robô de assistência domiciliar em 2026, com previsão de produção em massa em 2028.

O que diferencia essas duas ações é a estratégia de negócio: a SoftBank aposta na diversificação e no capital de risco, enquanto a Honda segue a tradição de integrar robótica à sua cadeia de valor automotiva e de serviços. Os analistas da Morgan Stanley apontam que, em 2025, a SoftBank deve registrar um crescimento de 23% em receitas provenientes de robótica, enquanto a Honda espera um aumento de 12% nas vendas de produtos de assistência pessoal.

Para os investidores, a relevância das ações não se restringe apenas à robótica; elas refletem a transição de toda a indústria de manufatura para a chamada “indústria 4.0”. A automação avançada, combinada com algoritmos de aprendizado profundo, permite que fábricas se tornem “inteligentes”, otimizando processos em tempo real e reduzindo custos operacionais. O relatório da McKinsey “Industrial Robotics: The Road to Scale” estima que, até 2030, a indústria de robótica poderá gerar um aumento de US$1,5 trilhão em produtividade global.

Mas o que isso significa na prática? Em 2024, a Amazon anunciou a implementação de 10.000 robôs humanoides na sua rede de centros logísticos na Europa, projetando um ganho de 18% na eficiência de empacotamento. No Brasil, a Petrobras utilizou robôs humanoides para inspeção de equipamentos de refino em 2023, reduzindo o tempo de parada em 30% e economizando cerca de R$12 milhões em custos operacionais.

A adoção de robôs humanoides no Brasil ainda é incipiente, mas o país tem um potencial enorme. O setor industrial brasileiro, que movimenta mais de R$1,6 trilhão em PIB, pode se beneficiar da automação avançada para superar desafios de mão‑de‑obra qualificada. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicou um estudo que indica que a introdução de 5.000 robôs humanoides em fábricas brasileiras poderia aumentar a produtividade em 3,5% nos próximos cinco anos.

A questão geopolítica também entra em cena. A dependência de tecnologia americana tem sido objeto de debate, especialmente em tempos de tensões comerciais. Por isso, empresas brasileiras de tecnologia, como a Embraer e a WEG, estão desenvolvendo protótipos de robôs humanoides em parceria com universidades como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Esses projetos visam criar soluções de automação locais que reduzam a dependência de importações.

Além disso, a regulamentação brasileira ainda precisa evoluir para acomodar a presença crescente de robôs humanoides nas ruas e ambientes públicos. Em 2025, o Ministério da Economia propôs a criação de um marco regulatório específico para robótica, contemplando normas de segurança, responsabilidade civil e certificação de software de IA.

Em termos de mercado, o valor de mercado do segmento de robótica humanoide deve atingir US$45 bilhões até 2030, de acordo com a Gartner. O crescimento será impulsionado principalmente pela aplicação em serviços de saúde, cuidados com idosos e educação. O Brasil, com mais de 25 milhões de idosos, representa um nicho de mercado em expansão.

O cenário, portanto, é promissor para investidores e para o próprio setor industrial. A SoftBank, com seu ecossistema de capital de risco, oferece oportunidades de crescimento rápido, enquanto a Honda traz estabilidade e sinergia com setores já consolidados.

Para os leitores que querem acompanhar essa evolução, a recomendação é manter o foco nos indicadores de inovação, como patentes registradas, investimentos em P&D e acordos estratégicos entre empresas e universidades. Em 2024, a SoftBank registrou 128 patentes de robótica, enquanto a Honda aumentou seu portfólio em 52 novos títulos de propriedade intelectual.

Em resumo, os robôs humanoides não são mais apenas objetos de curiosidade; eles estão sendo produzidos em massa, integrados à cadeia de valor industrial e se tornando protagonistas de um mercado em franca expansão. O Brasil, embora ainda em fase inicial, tem todas as condições para se tornar um player relevante nesse ecossistema, graças a parcerias público‑privadas, investimentos em educação e uma indústria que já se adaptou à revolução digital.

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