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Computação

Crise de Supply Chain: Como empresas japonesas estão enfrentando a alta nos custos e a demora nas entregas de servidores, redes e PCs

Análise detalhada das estratégias de compra de SUBARU, KING JIM e outras firmam a importância de decisões rápidas e bem fundamentadas em tempos de volatilidade

Nikkei xTECH

A crescente inflação de custos e a volatilidade nas entregas de servidores, equipamentos de rede e computadores pessoais têm colocado em xeque a capacidade de planejamento de empresas que dependem de tecnologia de ponta para manter suas linhas de produção e serviços digitais. No Japão, onde a inovação é um dos pilares da competitividade, essa situação se tornou uma crise de "調達異常" (procurement abnormal). A reportagem se aprofunda em casos concretos de sete empresas — destacando SUBARU, um gigante automobilístico, e KING JIM, renomado fabricante de equipamentos de ginástica — que compartilham lições valiosas sobre como transformar desafios de supply chain em oportunidades de resiliência.

### 1. O Contexto Global que Alimentou a Crise A pandemia de COVID‑19 desencadeou uma série de perturbações na cadeia de suprimentos, que se intensificaram com a escassez de semicondutores. Segundo a Associação Brasileira de Indústria de Equipamentos de Processamento de Dados (ABIPD), o preço médio dos chips de memória aumentou mais de 30% entre 2020 e 2023. Paralelamente, a guerra Rússia‑Ucrânia reduziu o fluxo de matérias‑primas e ampliou a dependência de rotas marítimas críticas, como o Canal de Suez.

No Japão, a dependência de fornecedores estrangeiros para componentes de servidores e redes faz com que a inflação de preços se traduza rapidamente em aumento de custos de produção. Já na América Latina, especialmente no Brasil, a cadeia de suprimentos de eletrônicos enfrenta desafios semelhantes: longas distâncias, impostos de importação e volatilidade cambial.

### 2. Estratégia 1 – Onde Comprar: Diversificação de Fornecedores A primeira decisão crítica que as empresas devem tomar é identificar quais fornecedores podem oferecer qualidade, preço competitivo e confiabilidade. SUBARU, por exemplo, estabeleceu parcerias com fornecedores asiáticos e norte‑americanos, criando um mapa de risco que inclui variáveis como capacidade de produção, histórico de entregas e nível de integração de qualidade.

Para KING JIM, a diversificação vai além de simplesmente escolher fornecedores diferentes; a empresa investe em um sistema de avaliação de risco em tempo real. O resultado é a possibilidade de alternar rapidamente entre parceiros sem interromper a produção de equipamentos de ginástica, um passo vital para manter a confiança dos clientes.

Em ambos os casos, a diversificação também permite a exploração de canais alternativos de compra, como mercados secundários de equipamentos de segunda mão, que podem oferecer hardware compatível a preços significativamente menores.

### 3. Estratégia 2 – Quando Comprar: Timing e Previsões de Demanda A volatilidade de preços requer uma análise acurada de quando adquirir equipamentos. SUBARU utilizou modelos de previsão de demanda baseados em aprendizado de máquina para antecipar picos de produção e, consequentemente, definir pontos de compra que evitam a compra de última hora, quando os preços costumam subir.

KING JIM adota uma abordagem semelhante, mas com foco em estoque de segurança. A empresa mantém um inventário mínimo de servidores essenciais, o que permite comprar quando os preços caem ou quando surgem oportunidades de negociação, evitando a escassez de componentes críticos durante períodos de pico de vendas.

Essa prática de timing também se reflete em estratégias de compra de volume, que muitas vezes geram descontos substanciais, mas exigem previsão precisa para não gerar excesso de estoque.

### 4. Estratégia 3 – Como Contratar: Contratos Flexíveis e Garantias A rigidez de contratos tradicionais pode se tornar um gargalo quando os preços mudam rapidamente. SUBARU recorre a contratos de fornecimento a longo prazo com cláusulas de preço escalonado, que permitem ajustes periódicos baseados em índices de mercado. Esses contratos também incluem garantias de entrega de quantidade mínima, garantindo a continuidade da produção mesmo em cenários de demanda inesperada.

KING JIM, por sua vez, utiliza contratos de fornecimento com cláusulas de penalidade por atraso, combinadas com cláusulas de “clausula de compra de contingência”, que permitem a compra de estoque adicional a preço pré‑estabelecido se a entrega original não ocorrer.

Tanto na estratégia de SUBARU quanto na de KING JIM, a flexibilidade contratual é uma ferramenta que converte risco de supply chain em capital de risco, permitindo negociações mais favoráveis e maior previsibilidade de custos.

### 5. Estratégia 4 – O Que e Quanto Comprar: Gestão de Estoque e Demanda Decidir o que comprar e quanto comprar não é apenas uma questão de balanço, mas de alinhamento entre produção e consumo real. SUBARU, por exemplo, utiliza um modelo de “just‑in‑time” combinado com “just‑in‑case”, que mantém estoques de componentes críticos, mas evita excesso de capital preso em itens de menor risco.

KING JIM, que lida com equipamentos de fitness que têm ciclos de vida mais longos, implementa um sistema de gestão de estoque baseado em análises de fluxo de caixa e projeções de uso. Isso evita a compra excessiva de servidores de baixa demanda e a falta de equipamentos nos momentos de pico.

Ambas as abordagens demonstram a importância de alinhar compras com a demanda real, minimizando perdas e otimizando o uso de recursos.

### 6. Estratégia 5 – Como Explicar à Alta Gestão: Comunicação de Risco e Valor Nenhuma das cinco estratégias teria valor se não fosse aprovada pela alta gestão. SUBARU dedica-se a apresentar relatórios de risco que incluem métricas de exposição a preços, tempo de entrega e impacto na produtividade. Esses relatórios são baseados em cenários de simulação e mostram claramente os ganhos de custos e de eficiência.

KING JIM, por outro lado, cria dashboards visuais que permitem a diretoria acompanhar em tempo real o status dos pedidos, a evolução dos preços e o risco de atraso. Essa transparência facilita decisões rápidas e fundamentadas, reduzindo a resistência a investimentos em fornecedores alternativos ou em estoques de segurança.

### 7. Impacto Econômico e Geopolítico O aumento nos custos de servidores e PCs tem efeito cascata em setores que dependem de tecnologia de ponta. No Japão, a indústria automotiva tem enfrentado custos operacionais crescentes que corroem margens de lucro. No Brasil, os importadores de equipamentos de TI reportam aumento de 25% nas tarifas de importação devido à inflação de preços globais, o que pode afetar a competitividade das empresas locais.

Geopolíticamente, a dependência de fornecedores de países específicos aumenta a vulnerabilidade a sanções e a interrupções políticas. A diversificação de fornecedores, conforme exemplificada por SUBARU e KING JIM, pode mitigar esses riscos, mas exige investimentos significativos em sistemas de avaliação de risco e na construção de relações estratégicas.

### 8. Perspectiva Brasileira e Latino‑Americana Para as empresas brasileiras que buscam se posicionar como líderes em inovação, a adoção de estratégias semelhantes pode ser decisiva. A ABIPD recomenda que os fornecedores de TI adotem contratos flexíveis, invistam em sistemas de previsão de demanda baseados em dados e mantenham estoques de segurança de componentes críticos.

Além disso, o Brasil poderia explorar acordos de cooperação regional com países latino‑americanos que produzam componentes de hardware, criando um ecossistema mais resiliente e menos dependente de cadeias globais complexas.

### 9. Conclusão – Preparar para o Futuro O cenário de supply chain que enfrenta SUBARU, KING JIM e outras empresas japonesas serve como alerta para o mundo inteiro. A alta de custos, a instabilidade de entregas e a necessidade de decisões rápidas exigem estratégias bem estruturadas: escolha cuidadosa do fornecedor, timing preciso, contratos flexíveis, gestão rigorosa de estoque e comunicação clara com a alta gestão.

Para o Brasil e para a América Latina, a chave está em adaptar essas lições a contextos locais, investindo em tecnologias de previsão, diversificação de fornecedores e fortalecimento de cadeias de suprimento regionais. Somente assim será possível transformar a crise de supply chain em uma oportunidade de fortalecimento competitivo e de inovação sustentável.

Fonte original

Nikkei xTECH
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