Ericsson e Verizon demonstram viabilidade da 6G em 7 GHz, impulsionando inovação no Japão
Parceria entre gigante sueco de telecomunicações e operador norte‑americano marca passo decisivo na corrida global pelo 6G

O universo das telecomunicações está passando por uma nova revolução. Entre 12 e 18 de outubro de 2026, cinco comunicados oficiais de empresas e órgãos do setor foram divulgados, destacando a prova de conceito da 6G na faixa de 7 GHz conduzida pela Ericsson, da Suécia, em parceria com a Verizon, dos Estados Unidos. Este experimento, realizado em território japonês, não é apenas um marco tecnológico: ele sinaliza o início de um novo capítulo na evolução da conectividade global.
A 6G, prevista para alcançar maturidade entre 2028 e 2030, promete velocidades de até 1 Tbps, latência de 1 ms ou menos e capacidade para suportar cenários de realidade aumentada, carros autônomos e cidades inteligentes. Para atingir essas metas, os engenheiros têm investigado bandas que ainda não foram plenamente exploradas pela 5G. A escolha da faixa de 7 GHz pelos protagonistas do experimento não foi aleatória. Esta banda representa um equilíbrio delicado: é suficientemente alta para permitir maior largura de banda, mas ainda baixa o suficiente para ser absorvida pelos dispositivos móveis atuais sem exigir um redesign completo de hardware. Além disso, 7 GHz se beneficia de uma penetração razoável em ambientes urbanos, permitindo cobertura em áreas densamente povoadas – algo crucial para a implantação de 6G em regiões como Tóquio e Osaka.
O experimento em si envolveu a instalação de equipamentos de transmissão de 6G em duas torres de telecomunicações distintas, com equipamentos de teste que simulam cenários de alta densidade de usuários. A transmissão foi testada em condições reais, incluindo interferência de edifícios, movimento de veículos e uso simultâneo de 5G em 4 GHz. Os resultados mostraram que a tecnologia pode entregar 1,2 Gbps de taxa de transmissão contínua a usuários finais a até 500 metros de distância, um ganho de mais de 400 % em relação ao pico de 5G. Em termos de latência, os testes revelaram valores médios abaixo de 2 ms, bem dentro da especificação de 1 ms que muitos cenários de 6G exigem.
Além da prova de conceito em si, o comunicado destacou a importância de integrar a 6G em ecossistemas mais amplos. Entre os tópicos abordados estão os Non‑Terrestrial Networks (NTNs), Fixed Wireless Access (FWA) e banda fixa. NTNs, que incluem satélites de órbita terrestre média, plataformas de altitude alta e drones de longa duração, permitem cobertura em áreas remotas, complementando a cobertura terrestre. A 7 GHz, embora tenha menor alcance que frequências mais baixas, pode ser usada em redes híbridas que combinam NTN e torres terrestres para garantir conectividade contínua em todo o Japão, incluindo as ilhas remotas do arquipélago.
O FWA, por sua vez, tem sido um catalisador para a expansão de banda larga em áreas que não receberam fibra óptica. A 6G pode elevar o FWA a níveis de velocidade quase equivalentes à fibra, mas com a mobilidade que os dispositivos móveis exigem. Em termos de custo, a 6G em 7 GHz pode reduzir a necessidade de infraestrutura de torres físicas em regiões densamente povoadas, já que os dispositivos podem usar antenas omnidirecionais avançadas para otimizar a cobertura.
Para a banda fixa, a 6G abre possibilidades de interconexão de alta velocidade entre data centers, centros de pesquisa e setores industriais. Em um cenário onde o Brasil e outras nações latino‑americanas estão buscando ampliar a capacidade de seus data centers, a 6G pode oferecer a interligação necessária para suportar Big Data e Inteligência Artificial em tempo real.
No contexto do mercado global, o experimento reflete a intensificação da corrida pelo 6G. A Ericsson, junto com a Huawei, Nokia e ZTE, já está investindo bilhões em pesquisas, enquanto empresas americanas como a Verizon, AT&T e a Comcast se juntam ao esforço de demonstrar a viabilidade de suas infraestruturas. A colaboração entre Ericsson e Verizon demonstra a necessidade de parcerias transnacionais: a Ericsson traz a experiência de redes de alta densidade, enquanto a Verizon oferece acesso a grandes bases de clientes e experiência em implantação em ambientes urbanos densos.
Geopolítica também entra em jogo. A dependência de chips de semicondutores fabricados na Ásia, especialmente na China, tornou a cadeia de suprimentos para 6G mais delicada. Países como o Japão têm se empenhado em fortalecer sua própria capacidade de fabricação de chips, como a Sony e a Toshiba, e em criar políticas de incentivo à pesquisa. O experimento em 7 GHz, portanto, também serve como demonstração de autonomia tecnológica, mostrando que empresas globais podem colaborar sem comprometer a soberania nacional.
Para o Brasil, os impactos são duplos. Em 2025, a Operação 5G Brasil já havia coberto 90 % das principais cidades, graças a parcerias entre a Embratel, a Oi e a TIM. A experiência acumulada agora está sendo canalizada para a próxima etapa: 6G. Universidades como a USP e a Unicamp têm iniciativas de pesquisa em 6G, focando em algoritmos de beamforming e gerenciamento de espectro que poderiam ser aplicados à faixa de 7 GHz. O governo brasileiro, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), já iniciou o processo de licenciamento de espectro para 6G, incluindo a faixa de 6–7 GHz.
A perspectiva de mercado indica que, antes do início da comercialização em 2030, haverá uma fase de teste piloto em grandes cidades de América Latina, com foco em setores críticos: saúde, educação e indústria 4.0. Empresas latino‑americanas que se envolverem cedo na pesquisa e no desenvolvimento poderão capturar uma parcela significativa do mercado futuro, especialmente em países com forte demanda por conectividade de alta velocidade, como Chile, México e Argentina.
Em síntese, o experimento de 6G em 7 GHz conduzido pela Ericsson e Verizon não é apenas uma vitória tecnológica, mas um indicador claro de que o futuro das telecomunicações será marcado por redes híbridas, espectros de alta frequência e parcerias globais estratégicas. Enquanto o Japão demonstra seu papel de liderança, o Brasil e outras nações da América Latina já estão preparando o terreno para participar de forma relevante nessa nova era digital. O caminho para o 6G está traçado, e o próximo passo será a transição de testes para implementações comerciais em escala global, impulsionando uma nova onda de inovação e crescimento econômico.
Fonte original
Nikkei xTECH







