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Inteligência Artificial

Fujitsu Inova em Planejamento de Desastres com Cenário de Godzilla no CEATEC 2026

Empresa japonesa demonstra como IA pode prever reações humanas em ataques fictícios, testando protocolos de evacuação e resposta emergencial

Nikkei xTECH

Em 13 de outubro de 2026, o CEATEC (Centro de Exposição de Tecnologia de Avanço e Inovação de Tecnologia), a maior feira de TI do Japão, se tornou palco de uma demonstração que foge do convencional: a Fujitsu apresentou uma simulação de um ataque de Godzilla como ferramenta de planejamento de desastres.

A escolha do monstro gigante como cenário não é mero espetáculo. O Japão, país com uma longa história de terremotos, tsunamis e tufões, tem investido em tecnologias que permitam respostas rápidas e coordenadas a eventos extremos. Ao criar uma situação de “catástrofe de ficção”, a Fujitsu busca testar a robustez de protocolos de evacuação sob pressão máxima, além de observar como o público reage a um perigo iminente. O exercício, realizado no grande auditório do CEATEC, contou com centenas de participantes que, em tempo real, foram expostos a alertas, mapas de evacuação e instruções de segurança geradas por sistemas inteligentes.

No centro da demonstração está a inteligência artificial desenvolvida pela Fujitsu, que combina modelagem preditiva, dados de sensores urbanos e técnicas de simulação de multidões. O algoritmo, alimentado por dados históricos de evacuação e padrões de comportamento, cria “agentes virtuais” que representam indivíduos dentro de um cenário de Godzilla. Cada agente possui variáveis que influenciam suas decisões: medo, familiaridade com o local, idade, condição física e acesso a informações. A IA, portanto, não apenas prevê fluxos de pessoas, mas também identifica gargalos e áreas de risco antes mesmo de um desastre real.

Para validar o modelo, os participantes receberam dispositivos vestíveis que coletavam métricas fisiológicas (batimento cardíaco, temperatura corporal) e posicionamento via GPS. Esses dados alimentavam em tempo real o algoritmo, que ajustava a simulação e oferecia feedback instantâneo sobre a eficácia de rotas de evacuação. Em alguns momentos, a “ataque” de Godzilla foi simulado com efeitos visuais e somores, aumentando a sensação de urgência e testando a reação do público em condições de estresse elevado.

O experimento também envolveu integração com o sistema de gerenciamento de emergências municipal. Quando o algoritmo detectou sobrecarga em uma rota, ele sugeriu automaticamente rotas alternativas, comunicadas via mensagem de texto para os dispositivos dos participantes. Este aspecto demonstrou a capacidade da IA de funcionar em conjunto com infraestruturas de comunicação já existentes, acelerando a tomada de decisão em momentos críticos.

Além do aspecto técnico, o CEATEC serviu como plataforma de debate. Durante o intervalo, a equipe de pesquisa da Fujitsu conduziu um workshop com especialistas em gestão de risco, psicologia social e engenheiros civis, explorando como os insights da simulação podem ser traduzidos em políticas públicas. O foco principal foi a criação de planos de evacuação mais dinâmicos, que considerem não apenas a geografia, mas também o comportamento humano sob pressão.

Para o Brasil, o experimento da Fujitsu traz lições valiosas. Países sul-americanos enfrentam frequentes enchentes, deslizamentos de terra e eventos climáticos extremos. A aplicação de modelos preditivos que consideram o comportamento da população pode, por exemplo, otimizar rotas de evacuação em cidades como Rio de Janeiro ou São Paulo, onde congestionamentos e falta de infraestrutura de transporte são barreiras constantes. Além disso, a integração de dispositivos vestíveis e sensores urbanos pode ser escalável, permitindo que cidades inteligentes usem dados em tempo real para ajustar estratégias de resposta.

Economicamente, a demonstração aponta um caminho para o crescimento de mercado de soluções de IA em segurança pública. Segundo estimativas, o setor global de segurança inteligente deve ultrapassar US$ 30 bilhões até 2030, com forte expansão em regiões vulneráveis a desastres naturais. Empresas como a Fujitsu, que investem em tecnologia de simulação e IA, posicionam-se como líderes nesse segmento, criando oportunidades de colaboração com governos e ONGs.

No entanto, a tecnologia não é uma solução mágica. A precisão das previsões depende da qualidade dos dados de entrada e da capacidade de modelar variáveis humanas complexas. A Fujitsu reconhece esses desafios e planeja continuar aprimorando seus algoritmos, incluindo aprendizado de máquina em tempo real e integração com sensores de redes de comunicação 5G e, futuramente, 6G.

O CEATEC 2026 também destacou a importância de testes públicos de cenários extremos. Ao colocar o público na linha de frente, a demonstração cria um ambiente de aprendizado coletivo, onde gestores de risco podem observar reações genuínas e ajustar estratégias. Essa abordagem, que mistura tecnologia avançada com psicologia social, pode transformar a forma como as cidades se preparam para o inesperado.

Em suma, a Fujitsu demonstrou que a combinação de IA, simulação de multidões e dados em tempo real pode gerar insights profundos sobre a resposta humana a desastres. A iniciativa, que começou como um experimento de entretenimento no CEATEC, pode se transformar em um modelo replicável para cidades ao redor do globo, incluindo o Brasil, onde a preparação e a resiliência são imperativos. O futuro da segurança pública passa por essa interseção de tecnologia e comportamento, e a demonstração da Fujitsu sinaliza um passo importante nesse caminho.

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Nikkei xTECH
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