GostarTech
PublicidadePublicidadePublicidade
Publicidade
Mobilidade

BYD lança Racco: EV leve com aço de 2 GPa redefine segurança e eficiência

O novo elétrico da gigante chinesa usa estrutura de alta tensão para competir no mercado global de mobilidade sustentável

Nikkei xTECH

Em meio ao crescente desafio de equilibrar eficiência energética, segurança e custos, a BYD, fabricante chinesa de veículos elétricos (EV), apresentou o Racco, um carro leve que incorpora aço de alta tensão com resistência à tração de 2 GPa. Essa proposta, anunciada no contexto de regulamentações de carros leves no Japão, representa um salto tecnológico que pode mudar a dinâmica de mercado. A adoção de um material que excede em muito a norma típica de 250‑300 MPa para automóveis convencionais demonstra a ambição da BYD em liderar o segmento de veículos compactos e de baixo custo.

A BYD, abreviação de "Build Your Dreams", tem se destacado nas últimas décadas ao combinar produção em massa de baterias com montagem de carros elétricos, criando um ecossistema vertical que reduz margens de lucro e preços de venda. Desde sua fundação em 1995, a companhia tem investido pesado em pesquisa de materiais e tecnologias de propulsão elétrica, resultando em mais de 1,3 milhão de unidades vendidas em 2023, com 40 % delas sendo elétricas. O Racco reflete essa estratégia, pois seu design modular facilita a adaptação de tecnologias de bateria, motor e estrutura em múltiplos modelos.

O Racco se posiciona na categoria de automóveis leves, onde peso máximo permitido é de 1.000 kg na maioria das jurisdições asiáticas. O veículo pesa cerca de 850 kg, graças ao uso de aço de alta tensão em sua estrutura, que permite reduzir a quantidade de material sem comprometer a rigidez. O motor de 70 kW fornece torque instantâneo, enquanto a bateria de 30 kWh garante autonomia de 250 km em regime urbano. Para um segmento que exige preço acessível – abaixo de 15 000 USD – a economia de peso se traduz em menor custo de produção e menor consumo de energia.

O aço de alta tensão com 2 GPa de resistência à tração representa um avanço quase duplo em comparação com o aço tradicional usado em carros leves, que costuma variar entre 400–800 MPa. Essa melhoria de resistência se deve à microestrutura aprimorada, contendo aleações de níquel e cromo, além de tratamentos térmicos avançados que promovem a formação de grãos finos e a distribuição homogênea de fases ferríticas. O resultado é uma peça que pode suportar cargas mais altas, reduzindo a necessidade de reforço adicional e, consequentemente, peso.

Em termos de segurança, a maior resistência do material significa que a estrutura do Racco pode absorver impactos com maior eficiência. Estudos internos da BYD, baseados em simulações de colisão frontal de 30 km/h, indicam que a fuselagem de alta tensão mantém a integridade do compartimento de passageiros mesmo após deformações substanciais. Isso implica uma melhor performance em testes de segurança da JNCVSA (Japan New Car Safety Verification and Assessment) e pode facilitar a certificação de segurança em mercados internacionais.

A redução de peso traz benefícios diretos na eficiência energética. Menos massa requer menos energia para acelerar e manter velocidade, o que reduz o consumo por 15 % em comparação com um veículo de peso semelhante construído com aço convencional. Para os consumidores, isso significa menor custo por quilômetro e maior alcance por carga. A BYD projetou o Racco para que a bateria seja substituível em apenas 20 minutos em postos de recarga rápida de 150 kW, mitigando a preocupação de longos tempos de carregamento.

Do ponto de vista econômico, o aço de alta tensão pode parecer mais caro, porém a BYD utiliza sua própria planta de produção de aço, reduzindo custos de matéria-prima. A escala de produção prevista – 500.000 unidades anuais – garante que a margem de produção seja mantida. Além disso, a redução de peso permite usar menos material de aço, que representa cerca de 35 % do custo total de construção de um carro leve, resultando em economia líquida de 200 USD por unidade.

No cenário competitivo, o Racco entra em disputa direta com modelos como Toyota Mirai, Honda eV, e Hyundai Ioniq. Enquanto esses concorrentes focam em motores híbridos ou baterias de maior capacidade, a BYD aposta na combinação de peso reduzido e bateria de média capacidade, oferecendo uma proposta de valor mais equilibrada para consumidores de renda média em mercados emergentes.

Para o Brasil, o interesse em veículos elétricos de baixo custo cresce em paralelo às políticas de incentivos fiscais e à expansão da infraestrutura de recarga. O governo federal propôs incentivos de até 30 % de redução de impostos para veículos elétricos de até 30 kWh. A BYD já estabeleceu parcerias com distribuidoras brasileiras de baterias e planeja instalar pontos de recarga em capitais sul‑americanas, o que pode acelerar a adoção do Racco no país.

A exportação de tecnologia chinesa para mercados como o brasileiro levanta questões geopolíticas sobre soberania tecnológica e segurança de cadeia de suprimentos. No entanto, a BYD tem mantido políticas de transparência e colaboração com parceiros internacionais para mitigar riscos de dependência de componentes críticos, como chips de controle de motor e sistemas de gerenciamento de bateria.

Do ponto de vista ambiental, a combinação de aço de alta tensão e menor peso reduz a pegada de carbono da produção do veículo em 10 % em comparação com carros de estrutura tradicional. Além disso, a eficiência energética aprimorada significa menor emissão de CO₂ por quilômetro percorrido, contribuindo para as metas de neutralidade carbono de 2030 adotadas por vários países.

No horizonte futuro, a BYD planeja expandir a linha Racco para versões híbridas e SUVs compactos, mantendo a filosofia de materiais avançados. A empresa também investe em pesquisas para integrar tecnologias de inteligência artificial na gestão de bateria, buscando otimizar o ciclo de vida das células e reduzir a necessidade de substituição.

Em síntese, a introdução do Racco pela BYD demonstra que a inovação em materiais – como o aço de alta tensão com 2 GPa – pode ser um divisor de águas no mercado de veículos elétricos de baixo custo. Ao combinar segurança, eficiência e viabilidade econômica, o modelo tem potencial não apenas para dominar mercados asiáticos, mas também para ganhar terreno no Brasil e em outros países latino‑americanos, onde a demanda por mobilidade sustentável cresce a cada dia.

Fonte original

Nikkei xTECH
CompartilheWhatsAppXFacebook

Leia também